A ex-presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, é apontada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) como líder da suposta organização criminosa investigada em um esquema envolvendo a contratação da empresa Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços. Ela e outras seis pessoas se tornaram rés após a Justiça receber a denúncia apresentada pelo Ministério Público.
Segundo a acusação, o grupo teria atuado para direcionar a contratação da empresa, dar aparência de regularidade ao contrato e liberar pagamentos que, conforme o MPMS, não corresponderiam aos serviços efetivamente prestados.
Os valores questionados chegam a R$ 1,97 milhão e, de acordo com a denúncia, teriam sido pagos com recursos públicos destinados ao atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A decisão que recebeu a denúncia foi assinada em 1º de outubro pelo juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal Residual de Campo Grande.
Alir é apontada como líder do grupo
Na denúncia, o Ministério Público atribui a Alir Terra Lima a posição de liderança da organização criminosa. Segundo os promotores, a então dirigente da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), mantenedora da Santa Casa, teria participado das principais decisões relacionadas à contratação e ao funcionamento do esquema investigado.
Alir responde por organização criminosa, sete episódios de peculato e falsidade ideológica.
A denúncia sustenta que a atuação do grupo teria ocorrido entre janeiro de 2024 e setembro de 2026, envolvendo dirigentes, funcionários da Santa Casa e o empresário ligado à Redvalue.
Para o Ministério Público, os envolvidos teriam atuado de forma coordenada para beneficiar a empresa e viabilizar o pagamento de recursos públicos.
Pagamentos de R$ 1,97 milhão são questionados
O MPMS aponta sete episódios de peculato, que somariam R$ 1.970.850. Segundo a acusação, os pagamentos foram feitos à Redvalue por serviços de digitalização de prontuários que não teriam sido executados conforme previsto no contrato.
Os dois primeiros repasses questionados foram de R$ 281.550 cada, realizados em 15 de maio e 25 de junho de 2025.
Em 2026, a denúncia aponta outros cinco pagamentos: R$ 563.100, em 12 de março; R$ 422.325, em 27 de março; e três parcelas de R$ 140.775, pagas em 28 de maio, 17 de junho e 3 de julho.
Segundo o MPMS, os recursos utilizados nos pagamentos tinham origem pública e estavam relacionados ao custeio dos serviços de saúde da Santa Casa.
Empresa teria sido escolhida antes do fim do processo
Outro ponto da investigação envolve a contratação da Redvalue. O Ministério Público afirma que a empresa teria sido escolhida antes da conclusão do procedimento administrativo.
Mensagens obtidas durante a apuração são citadas como indícios de que Jary Carvalho teria aproximado o empresário Maurício Benites de Rinaldo Romano e repassado informações internas para a elaboração da proposta comercial.
Em uma das mensagens reproduzidas na denúncia, atribuída a Jary, aparece a frase “Vamos agilizar e limar essa MV”, em referência à empresa que prestava parte dos serviços de tecnologia.
Termo aditivo também é questionado pelo MPMS
O Ministério Público também questiona um termo aditivo do contrato. Segundo a denúncia, o documento teria sido elaborado apenas em 2026, depois do início da fiscalização sobre o contrato, mas recebeu a data retroativa de 30 de abril de 2025.
Alir Terra, Rinaldo Romano, Alessandro Junqueira, Paulo Mariosa e Maurício Benites são acusados de participação nesse episódio, classificado pelo MPMS como falsidade ideológica.
Empresário responde por corrupção ativa
Além dos crimes relacionados ao contrato, a denúncia aponta suspeitas de corrupção. O empresário Maurício Aparecido Benites responde por corrupção ativa.
Segundo o MPMS, ele teria oferecido, prometido e pago vantagens indevidas a Jary Carvalho e Rinaldo Romano para facilitar a liberação dos pagamentos.
Os dois respondem por corrupção passiva.
A investigação também identificou saques em dinheiro vivo após pagamentos realizados pela Santa Casa. Em um dos casos, depois de um repasse de R$ 281.550, houve um saque de R$ 49.200 no mesmo dia.
O Ministério Público relaciona a movimentação financeira a mensagens e encontros entre os envolvidos e sustenta que parte do dinheiro teria sido destinada ao pagamento de vantagens indevidas.
Quem são os sete réus
Além de Alir Terra Lima, apontada pelo MPMS como líder da suposta organização, são réus:
- Jary de Castro Carvalho, ex-vice-presidente da ABCG;
- Rinaldo Hakime Romano, ex-funcionário da Santa Casa;
- Alessandro Dias Junqueira, ex-funcionário;
- Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa, ex-funcionário;
- Monique Gregório de Oliveira, ex-funcionária;
- Maurício Aparecido Benites, empresário.
Jary Carvalho é o único dos sete que está em liberdade.
O Ministério Público também pediu a prisão preventiva dele, mas o juiz não analisou o mérito do pedido na decisão que recebeu a denúncia. A solicitação deverá ser apresentada em processo separado.




