A colheita do milho da segunda safra começou a ganhar ritmo em Mato Grosso do Sul, mas ainda avança de forma lenta. Levantamento da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), divulgado nesta quarta-feira (9), mostra que apenas 2,8% da área monitorada havia sido colhida até o último dia 3 de julho, reflexo das chuvas acima da média e da elevada umidade dos grãos.
Na semana anterior, os trabalhos alcançavam apenas 0,7% da área cultivada. Com o avanço registrado nos últimos dias, cerca de 46 mil hectares já foram colhidos nas propriedades acompanhadas pelo Projeto Siga-MS, o que representa um incremento de 2,1 pontos percentuais.
Apesar da evolução, a entidade considera que a retirada do cereal ocorre abaixo do esperado. As regiões Central e Sul lideram o andamento da colheita, ambas com 3,1% da área já colhida. No Norte do Estado, porém, as máquinas passaram por apenas 0,2% das lavouras.
Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, as condições climáticas continuam sendo o principal obstáculo para o avanço dos trabalhos. “As chuvas acima da média em importantes regiões produtoras retardaram o início da colheita. Além disso, historicamente o milho apresenta umidade mais elevada nesse período, o que naturalmente posterga a entrada das máquinas no campo. A expectativa é que os trabalhos ganhem intensidade a partir da segunda quinzena de julho”, afirmou.
Qualidade das lavouras
O levantamento aponta que o cenário geral das lavouras permaneceu estável em relação à semana anterior. Atualmente, 70,8% das áreas cultivadas apresentam boas condições de desenvolvimento, enquanto 18,3% são classificadas como regulares e 10,9% como ruins.
Os melhores índices estão concentrados na região Norte, onde 92,1% das lavouras são consideradas boas. Em seguida aparecem as regiões Nordeste (82,9%), Oeste (79,4%), Sudoeste (73,6%) e Sudeste (72,8%).
Já a região Central continua preocupando os técnicos. Apenas 57,9% das áreas estão em boas condições, enquanto o percentual de lavouras classificadas como ruins subiu para 23,8%. No levantamento anterior, esse índice era de 22%.
No Sul, 64,1% das áreas apresentam boas condições e 31% estão em situação regular. Na região Sul-Fronteira, 62,3% das lavouras foram avaliadas como boas, mas a Aprosoja mantém monitoramento sobre possíveis prejuízos causados pelas geadas registradas entre os dias 24 e 26 de junho.
De acordo com Balta, o acompanhamento técnico continua sendo essencial para medir os impactos climáticos sobre a produtividade. “Continuamos monitorando os impactos localizados provocados pela estiagem e pelas geadas, especialmente na região Sul-Fronteira. Neste momento, o acompanhamento técnico é fundamental para avaliar possíveis reflexos sobre a produtividade”, explicou.
Na semana passada, a entidade informou que o município de Aral Moreira registrou geadas que atingiram lavouras nas fases reprodutivas R3 e R4, consideradas mais sensíveis às baixas temperaturas. A estimativa preliminar indica danos em até 5% da área cultivada no município.
Produção deve ser menor
Mesmo com o início da colheita, a Aprosoja/MS manteve as projeções para a safra 2025/2026. A área cultivada permanece estimada em 2,206 milhões de hectares.
A produtividade média prevista é de 84,2 sacas por hectare, resultado 22,4% inferior ao registrado na safra anterior. Com isso, a expectativa é de uma produção de aproximadamente 11,139 milhões de toneladas de milho em Mato Grosso do Sul, volume que representa queda de 20,1% na comparação com o ciclo passado.




