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Venda do Consórcio Guaicurus volta à estaca zero

A venda das empresas que integram o Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, enfrenta um novo obstáculo. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu rever a aprovação inicial da negociação e aprofundar a investigação sobre informações financeiras, administrativas e patrimoniais das concessionárias.

A decisão foi homologada por unanimidade pelo plenário do órgão federal na terça-feira (3). Com isso, o processo deixa de tramitar apenas na análise simplificada da Superintendência-Geral e passa para avaliação do Tribunal do Cade.

A negociação prevê que a Maas Administração e Participações Ltda., integrante do Grupo HP, assuma o controle das quatro empresas que formam o Consórcio Guaicurus. O grupo interessado na aquisição já atua no transporte coletivo em Goiás e no Distrito Federal.

Em outubro, a operação havia recebido aprovação sem restrições pela área técnica do Cade. Na ocasião, o entendimento era de que a transação não provocaria concentração de mercado, uma vez que as empresas atuam em regiões geográficas diferentes.

O cenário mudou após questionamentos sobre informações que não teriam sido apresentadas pelas empresas durante o pedido de autorização da negociação.

Intervenção municipal entrou na análise

Entre os principais pontos levantados pelo conselheiro Carlos Jacques Vieira Gomes está a intervenção decretada pela Prefeitura de Campo Grande no contrato de concessão do transporte coletivo.

Também foram mencionados procedimentos administrativos que podem resultar na caducidade do contrato, além de processos judiciais e restrições envolvendo o patrimônio das concessionárias.

Segundo o conselheiro, essas circunstâncias já eram conhecidas pelas partes antes da apresentação do pedido ao Cade, mas não teriam sido devidamente informadas no formulário encaminhado ao órgão.

A preocupação envolve principalmente a situação econômico-financeira das empresas e os argumentos utilizados para justificar a transferência do controle empresarial como alternativa para garantir a continuidade do serviço e viabilizar novos investimentos.

A legislação permite que o Cade reavalie decisões quando existem indícios de que uma aprovação foi fundamentada em informações falsas ou enganosas.

Garagem também será investigada

Outro ponto que entrou na análise envolve o imóvel utilizado como garagem pela Viação Cidade Morena, uma das empresas do consórcio.

O contrato da negociação prevê que uma empresa ligada ao grupo comprador também adquira o terreno, atualmente pertencente à Pauma Empreendimentos Imobiliários Ltda., vinculada ao Grupo Constantino.

Embora tenha sido informado que o imóvel continuará sendo utilizado como garagem após a transferência, o Cade quer esclarecer possíveis disputas judiciais relacionadas à negociação anterior do terreno.

A questão é considerada relevante porque a garagem integra a estrutura operacional necessária ao funcionamento do transporte coletivo da Capital.

O Consórcio Guaicurus já sustentou que o imóvel não é um bem reversível da concessão, ou seja, não estaria entre os patrimônios que obrigatoriamente retornariam ao poder público ao término do contrato.

Prefeitura mantém poder de decisão

Mesmo que o Cade volte a aprovar a negociação, a transferência do controle das empresas dependerá também da autorização da Prefeitura de Campo Grande.

A administração municipal é responsável pelo contrato de concessão e precisa dar anuência prévia à mudança societária.

A prefeita Adriane Lopes já sinalizou que a autorização depende da apresentação de compromissos de investimentos pelo grupo interessado na aquisição.

Entre as exigências mencionadas estão a renovação da frota de ônibus, a incorporação de veículos com ar-condicionado e melhorias na infraestrutura dos terminais de integração.

Dessa forma, a aprovação do Cade não representa, isoladamente, autorização para concluir a venda. A Prefeitura ainda precisará avaliar as condições oferecidas pelo comprador e a situação do contrato de concessão.

Venda continua sem definição

Com a decisão do plenário, o Tribunal do Cade deverá aprofundar a análise dos questionamentos apresentados. Ao final, poderá manter a aprovação anterior, estabelecer condições para a operação ou rejeitar a negociação.

O Consórcio Guaicurus informou anteriormente que a reavaliação está prevista nos procedimentos do órgão e que os questionamentos serão esclarecidos. A empresa também defendeu a negociação como alternativa para garantir a continuidade do transporte coletivo e possibilitar investimentos no sistema.

A decisão não significa o cancelamento definitivo da venda, mas representa um novo entrave para a transferência das concessionárias.

Enquanto não houver uma conclusão do Cade e a autorização municipal, o futuro do controle empresarial do transporte coletivo de Campo Grande permanece indefinido.

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