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AGESUL conduzirá desapropriações para acesso à fábrica da Arauco

A Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (AGESUL) ficará responsável por conduzir, em conjunto com a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), os procedimentos necessários à desapropriação de 57,5 mil metros quadrados de áreas rurais em Inocência. A medida abre caminho para a implantação e pavimentação da rodovia MS-377, corredor estratégico para o acesso ao Projeto Sucuriú, megafábrica de celulose da multinacional chilena Arauco.

A autorização foi formalizada por quatro decretos assinados pelo governador Eduardo Riedel (PP) e publicados no Diário Oficial do Estado em 20 de outubro. Os documentos declaram cinco parcelas de quatro imóveis rurais como de utilidade pública e permitem que o governo avance nas negociações com os proprietários ou recorra à Justiça para obter as áreas necessárias às intervenções.

O trecho contemplado liga a região da ponte sobre o Rio Sucuriú, na divisa entre Três Lagoas e Inocência, ao entroncamento das rodovias MS-112 e MS-316. A ligação inclui o acesso ao complexo industrial, cuja implantação deverá ampliar a movimentação de trabalhadores, equipamentos, insumos e cargas na região.

A atuação da AGESUL será fundamental para dar andamento às medidas administrativas relacionadas à obtenção dos terrenos. Os decretos também autorizam o Estado a alegar urgência para solicitar a imissão na posse dos imóveis, desde que sejam cumpridas as exigências legais. Isso não significa, porém, que as propriedades já tenham sido transferidas ao poder público.

Áreas atingem propriedades rurais

As desapropriações abrangem terrenos distribuídos entre as fazendas Bela Ideia, São João, Portinho e São Francisco. A maior parte está na Fazenda Bela Ideia, registrada em nome da própria Arauco Celulose do Brasil. Duas parcelas dessa propriedade somam aproximadamente 33,3 mil metros quadrados.

As demais áreas correspondem a cerca de 2,4 mil metros quadrados na Fazenda São João, 19,1 mil metros quadrados na Fazenda Portinho e 2,7 mil metros quadrados na Fazenda São Francisco.

A inclusão de uma propriedade da própria empresa beneficiada pelo acesso rodoviário evidencia que a implantação da infraestrutura envolve diferentes áreas e titulares. Os decretos, entretanto, não detalham como será distribuída a responsabilidade financeira entre o Estado e a companhia pela execução das obras e pelas desapropriações.

Caberá à AGESUL, em articulação com a PGE, adotar as providências necessárias para efetivar os procedimentos. Caso não haja acordo com os proprietários, a obtenção dos terrenos poderá depender de medidas judiciais.

Os atos oficiais não apresentam os valores previstos para as indenizações, nem informam se todas as avaliações imobiliárias já foram concluídas. Também não estabelecem um cronograma para o início ou a conclusão da pavimentação da MS-377.

Investimento bilionário amplia demanda por infraestrutura

A intervenção rodoviária está relacionada à implantação do Projeto Sucuriú, empreendimento que representa um dos maiores investimentos industriais em andamento no Estado. Em fevereiro de 2026, o governo estadual anunciou R$ 26,9 milhões para a implantação e pavimentação de dois acessos entre a rodovia e o complexo industrial.

A fábrica da Arauco tem investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 25 bilhões, e capacidade projetada para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. A previsão é que a unidade entre em operação no último trimestre de 2027.

Durante a construção, a expectativa é de geração de aproximadamente 14 mil oportunidades de trabalho. Depois do início das operações, o empreendimento deverá gerar cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos.

Nesse cenário, a adequação da malha rodoviária ganha relevância para a logística do empreendimento e para o deslocamento de pessoas e mercadorias. A pavimentação da MS-377 deverá contribuir para a conexão do complexo industrial com outras rodovias regionais, embora os decretos de desapropriação não detalhem a extensão total das obras nem seus prazos de execução.

Com a publicação dos atos, a AGESUL e a PGE passam a dispor da autorização formal para avançar nos procedimentos de obtenção das áreas. A efetivação das desapropriações será uma das etapas necessárias para viabilizar a intervenção rodoviária prevista para atender ao complexo industrial de Inocência.

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