Em uma época em que o amor cabia em cartas escritas à mão, cheias de espera, saudade e reencontros, o espetáculo “Te Amo” propõe resgatar essa forma mais lenta e sensível de viver os afetos. A nova montagem do Corpo de Dança Sesc MS será apresentada nos dias 10 e 11 de junho, às 19h, no Sesc Teatro Prosa, em Campo Grande. A entrada é gratuita e os ingressos estão disponíveis no Sympla.
A obra constrói uma narrativa inteiramente corporal, sem uso de palavras, a partir de memórias, relações familiares e registros afetivos que atravessam o tempo. Cartas e lembranças serviram como ponto de partida para transformar experiências humanas em linguagem cênica.
Memória e emoção em movimento
Com criação e coreografia de Karine Wosniak e direção de Chico Neller, o espetáculo nasceu do desejo de traduzir sentimentos como amor, ausência, cuidado e saudade em movimento.
“Este espetáculo nasceu do desejo de transformar lembranças, afetos e relações humanas em movimento. A inspiração veio de memórias que atravessam o tempo e revelam como o amor pode permanecer presente em diferentes formas”, explica Karine.
O processo criativo exigiu dos bailarinos um mergulho em emoções profundas, com foco na construção de uma narrativa sensível e aberta à interpretação do público.
“Cada gesto, deslocamento e composição em cena foi pensado para revelar sentimentos que muitas vezes não conseguimos expressar com palavras”, completa a coreógrafa.
Dança como leitura de emoções
Na direção do espetáculo, Chico Neller destaca que a força da obra está justamente na liberdade de interpretação do público.
“Cartas escritas à mão carregam algo muito íntimo: quem escreve deixa rastros, memórias, silêncios, desejos e despedidas. E quem lê quase sempre completa os vazios com as próprias experiências”, afirma.
Ele também observa que o espetáculo propõe uma desaceleração em meio ao ritmo acelerado da vida contemporânea.
“Vivemos num tempo muito rápido, onde tudo passa depressa, inclusive os afetos. Este trabalho propõe justamente o contrário: um encontro mais humano, sensível e presente”, diz.
Corpo como linguagem
No palco, os bailarinos precisaram transformar sentimentos em movimento, sem apoio de palavras. Para Arthur Guilherme Justen de Almeida Fernandes, a experiência ampliou a compreensão sobre o próprio fazer artístico.
“Dançar é sentir, se expressar e passar uma mensagem através do nosso corpo. Aprendi que emocionar e se conectar com o público é tão importante quanto a técnica”, afirma.
Já a bailarina Sttefany Karoline Rodrigues Festi destaca o impacto emocional do processo criativo e a necessidade de entrega total na cena.
“A dança tem esse poder de falar sem precisar de palavras, então tivemos que sentir tudo de verdade para conseguir transmitir ao público apenas com o corpo”, diz.
Ao final, “Te Amo” propõe um mergulho em afetos universais, nas relações que permanecem na memória e nas emoções que continuam vivas mesmo depois das despedidas.





